8. MUNDO 10.4.13

GUERRA, NO
O mundo no pode se curvar s chantagens do ditador norte-coreano. Mas ainda no sabe o que fazer para pr fim s ameaas nucleares do luntico Kim Jong-un
Pedro Marcondes de Moura

O comportamento luntico do lder da Coreia do Norte elevou o clima de tenso no leste da sia e se transformou numa verdadeira preocupao mundial. Na ltima semana, valendo-se de um arsenal atmico e de uma posio geopoltica estratgica, Kim Jong-un ps o mundo em alerta com incisivas ameaas de ataques nucleares a alvos americanos. Informamos  Casa Branca e ao Pentgono que a hostilidade crescente dos Estados Unidos (EUA) para com a Coreia do Norte ser esmagada pela fora de vontade dos soldados e do povo e (...) por meio de ataques nucleares leves, diversificados e de ponta, disse em nota. O herdeiro da dinastia comunista de Pyongyang, de apenas 30 anos, j havia feito outros movimentos na escalada blica promovida em resposta aos exerccios conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul em suas fronteiras e s sanes aplicadas ao pas em fevereiro, pela ONU. Anunciou a reativao de instalaes nucleares para produzir armamentos, incluindo o reator de Yongbyon, desativado em 2007, e fechou o acesso dos sul-coreanos ao complexo industrial binacional de Kaesong, nica ligao ativa entre os dois pases. O ditador tambm j havia testado projteis de curto alcance no Mar do Japo e cancelou o armistcio com a Coreia do Sul, assinado em 1953, declarando-se em estado de guerra com a vizinha.  primeira vista, pareciam bravatas, ao estilo da diplomacia beligerante norte-coreana. Da mesma forma agiam seus antepassados, para marcar posio ou barganhar ajuda internacional. Agora, porm, a ousadia insana de Pyongyang passou a ser classificada como um perigo claro e real pelo secretrio americano de Defesa, Chuck Hagel. No por acaso, em resposta, o Pentgono mandou instalar em Guam, ilha americana no Pacfico, um sistema de defesa  que inclui radares, msseis interceptadores e um caminho lana-msseis  a fim de garantir a segurana dos cidados do seu Pas e de aliados.

Para analistas especializados no que ocorre por trs da cortina de ferro da Coreia do Norte, certos movimentos de Kim Jong-un pouco se diferenciam de seu pai ou av que o antecedem, desde 1948, no comando do pas. Em quase uma tradio, os ditadores do cl desafiam os limites da racionalidade e promovem ameaas e demonstraes de aparato militar sempre que h a substituio de chefes de Estado em naes vizinhas. Foi o que ocorreu no dia 25 de fevereiro com a posse pelas urnas da conservadora Park Geun-hye, filha do ditador Park Chung-hee, ao comando da arquirrival Coreia do Sul. O jovem lder tambm repete o roteiro familiar ao colocar as foras armadas como principal pilar de sustentao e usar a ameaa do inimigo externo para resgatar apoio popular. Por isso,  impossvel prever se a Coreia do Norte quer de fato partir para um conflito suicida com os EUA.

H pouco mais de um ano no cargo, e questionado internamente pela pouca idade e falta de experincia, Kim Jong-un parece elevar as ameaas para se cacifar dentro e fora da Coreia. Recentemente, rejeitou as ajudas oferecidas por outras naes para suspender as movimentaes blicas  aceitas sem pudor pelos outros mandatrios. O movimento d menos margem de negociao  comunidade internacional com o regime de Pyongyang, porm, lhe torna mais errtico e imprevisvel. Um capital valioso na estratgia do medo norte-coreana.

INSANIDADE - Ao elevar o tom, Kim Jong-un coloca o mundo em alerta

